Sintam-se à vontade.  Aqui, todo material relevante, didático e que me interessa será postado. Críticas, resenhas e outras "cositas más" 

Notícia aos visitantes

Se encontrarem algo que lhe despertou interesse, comente! Todo o conteúdo desse blog é de minha propriedade (Gustavo Azeituno), e quem usufruir sem o devido crédito, poderá responder judicialmente - ou não, sou da paz.  

Atenciosamente, equipe Pseudo-Intelectual 

Hacksaw Ridge - Resenha

Quando pensamos em filmes com a temática de guerra, a nossa mente surgem obras como O Resgate do Soldado Ryan, Platoon, Bastardos Inglórios e muitos outros. Hacksaw Ridge (Até o Último Homem) é o típico filme que se adéqua à categoria, mas que infelizmente não é um marco dentro dessa vertente cinematográfica.

O longa dirigido por Mel Gibson (Coração Valente) relata o dilema de um jovem que decide se alistar para guerra, mas que devido sua crença religiosa, encontra diversos obstáculos durante o percurso.  O filme consegue mostra muito bem o paradoxo do jovem Desmond Doss (Andrew Garfield), um objetor de consciência -pessoas que seguem à risca princípios religiosos, éticos ou morais-, que se nega a todo custo a segurar uma arma, batendo de frente com os conceitos básicos de uma guerra.  

O arco envolvendo o sofrimento do agora soldado Doss enquanto está em treinamento é muito bem desenvolvido, explorando a determinação do jovem, sua resistência e, sobretudo, sua fé quase inabalável, mesmo com seus companheiros fazendo de tudo para que o tido  como “inútil” volte para casa. O longa peca quando falamos em consolidação de personagens secundários. Os soldados que vão à guerra juntos de Desmond Doss são descartáveis, em sua maioria, talvez pela maior parte do filme estar focada em construir a personagem de Doss. 

Em seu primeiro arco, Hacksaw Ridge não consegue trazer totalmente quem assiste para perto do filme, a sensação de proximidade e identificação fica restrita aos personagens com mais tempo de tela, como o próprio Desmond Doss, sua esposa Dorothy (Teresa Palmer) e seu pai Tom Doss (Hugo Weaving). O segundo e o terceiro ato são cativantes e empolgantes, méritos, aqui, para a direção de Mel Gibson, que deixa a guerra viceral e real.

 

Sargento Howell (Vince Vaugh) e Smitty Ryker (Luke Bracey) são os dois personagens secundários com mais destaque. Os demais companheiros de guerra, quando não artificiais, utilizam características físicas para causar a sensação de familiaridade junto a quem assiste. É o caso das personagens de Andy ‘Ghoul’ Walker, vulgo zumbi, e Milt ‘Hollywood’ Zane.  

As cenas de ação é que dão vida ao filme, com imagens que saltam os olhos e mostram os horrores da guerra como poucas vezes vimos no cinema, ressaltando a todo instante que a vida de um soldado em meio às trincheiras não tem valor.

Há, como em quase todo filme estadunidense que retrata a segunda guerra mundial, cenas exageradas, como pegar o corpo dilacerado de um soldado que até poucos instantes estava vivo ao seu lado, e usá-lo como escudo, enquanto mata meia dúzia de japoneses.

Quando a personagem de Doss enfim faz jus ao seu protagonismo é que o filme diz a que veio. Toda a sequência em que o jovem soldado fica na serra de Hacksaw resgatando incansavelmente todos os companheiros que foram deixados para trás é sentimental e deixa explícita a importância da participação do jovem médico na batalha, mesmo sem poder segurar uma arma.

O desfecho do filme segue o padrão de Hollywood, com o jovem Doss saindo fortalecido e como um herói. Por se tratar de um filme baseado em fatos reais, o final com um compilado de depoimentos de soldados, incluindo o de Doss e seus companheiros, foi ótimo.

De modo geral, Hacksaw Ridge consegue entregar um bom filme de guerra, mas que fica nisso. Está longe de ser um marco, porém funciona, sobretudo por começar e encerrar uma trama de forma eficiente e orgânica.

Sentimento Final: Muito Satisfeito

Nota: 8.7

13 Reasons Why - Resenha

Contar o cotidiano de jovens em uma escola típica americana pode parecer clichê - e de fato é -, mas quando temos acrescentadas à trama uma jovem garota que se suicidou e fitas contando as razões pela escolha de tirar a própria vida, que inclusive foram entregues aos 'culpados', temos algo no mínimo interessante em mãos.

A série original da Netflix, adaptada por Brian Yorkey, inspirada no livro homônimo, relata a triste história dos motivos que causaram o suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford), explicando-os em sete distintas fitas, indicando, também, os responsáveis pelo suicídio. 

A idéia de Hannah é simples e perturbadora: os áudios devem ser escutados por todos citados nas fitas, quem as escuta deve, então, passá-las adiante para outro jovem mencionado, até que todos tenham escutado, caso alguém tente destruí-las ou não as repassar, um amigo de confiança de Hannah vazará todas as gravações. O objetivo é expor tudo o que a garota passou e sofreu durante seu período no ensino médio, deixando claro aos jovens que são parte vital em sua trágica morte.

A trama foca no ponto de vista de Clay Jensen (Dylan Minnette), que até então é o último a receber as fitas. Cada episódio da série trata sobre um ‘responsável’ pela morte de Hannah, enquanto nós ouvimos os áudios simultaneamente com Clay. Quem assiste descobre a verdade por traz do suicídio da jovem de 17 anos junto ao Jensen, o que causa uma sensação de imersão muito grande, não só por acompanharmos o desenrolar das fitas da mesma forma que o garoto, mas por muitas vezes nos colocarmos nas situações expostas nas gravações.

A série consegue passar perfeitamente uma sensação incômoda, de revolta e desespero, trazendo  cada vez mais quem assiste para o mundo de 13 Reasons Why, através de uma junção de sentimentos, sobretudo entre os jovens, que são o público-alvo.

Clay e Hannah possuem uma química excelente, revelando uma paixão quase que proibida, que nunca chega (e chegará) ao ápice. Há, aqui, uma forte sensação de incapacidade, que envolve quem assiste, colocando-nos no lugar do garoto, buscando alternativas de como a morte de Hannah poderia ser evitada.  

Jensen traz seu lado inocente e tímido à tona, enquanto buscar encontrar os porquês do suicídio de sua amiga, uma garota divertida, simpática e espontânea, que ao passar da série vai mudando, transformando-se em uma jovem insegura e depressiva, sempre à procura por respostas e uma razão para continuar.

Alguns detalhes da história são simples, mas que ajudam a tornar a experiência com a série a mais orgânica possível. O machucado que Clay possui na testa, sofrido ainda no primeiro episódio, serve como ponto de referência na linha temporal, situando quem assiste nas frequentes trocas entre pré e pós-suicídio. Em suma, todas as cenas em que Jensen estiver com o curativo na testa se passam depois da morte de Hannah. Sutil, mas importante e inteligente.

13 Reasons Why conta com personagens estereotipados, como o pessoal do time de basquete, os nerds e as cheerleaders. Entretanto, é interessante como a série os une, colocando-os como ‘culpados’ pelo suicídio de Hannah, seja a nerd ou o bully. Funciona muito bem esse paradoxo moral, de aceitar que até o mais correto e ético pode ter papel vital na vida de uma adolescente prestes a se matar.   

A série funciona, também, como uma obra de conscientização, tratando o assunto bully de forma realista e autêntica, expondo os horrores e consequências, incomodando quem assiste. Alguns dos conceitos inseridos na trama evidenciam o fato que qualquer um pode ser um bully em potencial, sem precisar ser necessariamente uma pessoa ruim.

Mas a série convive com algumas falhas, claro. Há pequenos furos dentro da história, como a entrada Ryan no grupo dos ‘responsáveis’ pela morte de Hannah, que aconteceu de forma repentina e nada natural, causando uma sensação de estranhamento. Podemos notar em alguns episódios certa apelação, criando e forçando situações não muito críveis, que nitidamente poderiam ser evitadas pela Hannah. 

Entretanto, 13 Reasons Why é, sem dúvidas, uma das melhores séries da Netflix, retratando muito bem assuntos como o bullyng, o suicídio e a vida no ensino médio de uma escola dos EUA.  Tudo indica que haverá uma segunda temporada, para a alegria dos fãs e de quem escreve.

Sentimento Final: Muito satisfeito.

Nota: 9.1

Gustavo Azeituno

Colaboraram: Brandon Tiburcio

Enquete

Recomendaria o Blog?

Sim 16 44%
Talvez 9 25%
Não 11 31%

Total de votos: 36